A psique expressiva: o estudo de um processo psicoterápico aliado à produção plástica

Paola Vieitas Vergueiro

Resumo


O estudo de caso apresentado demonstra uma maneira de utilizar recursos expressivos em psicoterapia e a análise simbólica desse processo. Ele se dedica à trajetória de um paciente que, ao ingressar em psicoterapia, sofre de ansiedade intensa e não vê perspectivas na vida. A leitura psicodinâmica identifica a ação acentuada de complexos e a falta de contato com o mundo interno. Ao longo do processo o paciente acessa seu inconsciente mediante o contato com os sonhos, sua expressividade plástica e diálogo com a psicoterapeuta. Muitas conquistas são realizadas: os complexos materno e paterno são revisitados e transformados; a conscientização de conteúdos inconscientes por meio da compreensão simbólica oferece ao paciente um caminho para sua energia psíquica, o que resulta em uma nova vitalidade; a perspectiva simbólica passa a fazer parte da sua vida, antes aprisionada a uma visão literal, concreta. Uma vez em posse desses recursos, sua personalidade se fortalece e seu herói se manifesta, voltando a lhe oferecer protagonismo e perspectivas criativas na vida. Este trabalho busca, assim, aproximar estudo e prática em psicologia analítica: a pesquisa acadêmica, o atendimento clínico, a fundamentação teórica e o uso da expressividade plástica, sem a pretensão de esgotar as possibilidades de leitura e compreensão do caso ou das áreas de conhecimento abordadas.


Palavras-chave


arte terapia, psicoterapia analítica, símbolos

Texto completo:

PDF HTML

Referências


Abt, T. (2005). Introduction to picture interpretation according to CG Jung. Zurich: Living Human Heritage Publications.

Bach, S. (1990). Life paints its own span: On the significance of spontaneous pictures by severely ill children. Einsiedeln: Daimon.

Bruchon, M. (1972). An expressive modality of personality: Communicative gestures. Bulletin de Psychologie, 26 (1-4), 4-21.

Caligor, L. (1952). The detection of paranoid trends by the Eight Card Redrawing Test (SCRT). Journal of Clinical Psychology, 8(1), 397-401.

Carvalho, M. M. M. F., & Andrade, L. Q. (1995). Breve histórico do uso da arte em psicoterapia. In M. M. M. F. Carvalho (Coord.). A arte cura? Recursos artísticos em psicoterapia (p. 27-38). Campinas, SP: Editorialpsy II.

Chizzotti, A. (2003). Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez.

Ciornai, S. (Org.). (2004). Percursos em arteterapia (Coleção Novas Buscas em Psicoterapia, Vol. 62). São Paulo: Summus.

Conselho Regional de Psicologia (2005). Código de Ética do Psicólogo. São Paulo: CRP. Recuperado em 14 de abril de 2016, de http://www.crpsp.org.br/portal/orientacao/codigo/fr_codigo_etica_new.aspx

Fordham, M. (1957). Reflections in image and symbol. The Journal of Analytical Psychology, 2 (1): 85-92.

Freud, S. (1987). Totem e tabu e outros trabalhos (Coleção Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Vol. XIII). Rio de Janeiro: Imago.

Furth, G. M. (2004). O mundo secreto dos desenhos: uma abordagem junguiana da cura pela arte. São Paulo: Paulus.

Hammer, E. F. (1989). Aplicações clínicas dos desenhos projetivos. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Hillman, J. (1992). Emotion: A comprehensive phenomenology of theories and their meaning for therapy. Evanston, Illinois: Northwestern University Press.

Hillman, J. (1999). O livro do puer - ensaios sobre o arquétipo do puer aeternus. São Paulo: Paulus.

Jung, C. G. (1975). Memórias, sonhos, reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Jung, C. G. (1986a). A natureza da psique. In Obras Completas (Vol. VIII/2). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1986b). Resposta a Jó. In Obras Completas (Vol. XI/4). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1988). Interpretação psicológica do Dogma da Trindade. In Obras Completas (Vol. XI/2). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1989). Símbolos da transformação. In Obras Completas (Vol. V). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1990a). Psicogênese das doenças mentais. In Obras Completas (Vol. III). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1990b). A energia psíquica. In Obras Completas (Vol. VIII/1). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1991). Psicologia e Alquimia (4a ed.). Petrópolis, RJ: Vozes.

Jung, C. G. (2009). Tipos psicológicos. In Obras Completas (Vol. VI). Petrópolis: Ed. Vozes.

Kolk, V. O. L. (1984). Testes projetivos gráficos no diagnóstico psicológico (Coleção Temas básicos de psicologia, vol. 5). São Paulo: EPU.

Lee, A. (2012). As aventuras de Pi. [DVD]. EUA: 20th Century Fox.

Machover, K. (1949). Proyección de la personalidad en el dibujo de la figura humana. Habana: Cultural.

Naumburg, M. (1955). Art as a symbolic speech. The Journal of Aesthetics and Art Criticism, 13(1), 435-450.

Ramos, D. (2006). A psique do corpo. A dimensão simbólica da doença (3a ed). São Paulo: Summus.

Samuels, A., Shorter, B., & Plaut, F. (1988). Dicionário crítico de análise junguiana. Rio de Janeiro: Imago.

Telles, V. S. (2000). A desvinculação do T.A.T. do conceito de “projeção” e a ampliação de seu uso. Psicologia USP, 11(1): 63-83.

Trinca, W. (1976). Investigação clínica da personalidade: o desenho livre como estímulo de apercepção temática. Belo Horizonte: Interlivros.

Vasconcelos, E. A., & Giglio, J. S (2006). Arte na psicoterapia: imagens simbólicas em psico-oncologia. São Paulo: Vetor.

Whitmont, E. (2002). A busca do símbolo. São Paulo: Cultrix, 2002.




DOI: http://dx.doi.org/10.21901/2448-3060/self-2017.vol02.0004

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

ISSN 2448-3060