A psique expressiva: o estudo de um processo psicoterápico aliado à produção plástica

  • Paola Vieitas Vergueiro Centro Educacional São Camilo, IJUSP, UNIP.
Palavras-chave: arte terapia, psicoterapia analítica, símbolos

Resumo

O estudo de caso apresentado demonstra uma maneira de utilizar recursos expressivos em psicoterapia e a análise simbólica desse processo. Ele se dedica à trajetória de um paciente que, ao ingressar em psicoterapia, sofre de ansiedade intensa e não vê perspectivas na vida. A leitura psicodinâmica identifica a ação acentuada de complexos e a falta de contato com o mundo interno. Ao longo do processo o paciente acessa seu inconsciente mediante o contato com os sonhos, sua expressividade plástica e diálogo com a psicoterapeuta. Muitas conquistas são realizadas: os complexos materno e paterno são revisitados e transformados; a conscientização de conteúdos inconscientes por meio da compreensão simbólica oferece ao paciente um caminho para sua energia psíquica, o que resulta em uma nova vitalidade; a perspectiva simbólica passa a fazer parte da sua vida, antes aprisionada a uma visão literal, concreta. Uma vez em posse desses recursos, sua personalidade se fortalece e seu herói se manifesta, voltando a lhe oferecer protagonismo e perspectivas criativas na vida. Este trabalho busca, assim, aproximar estudo e prática em psicologia analítica: a pesquisa acadêmica, o atendimento clínico, a fundamentação teórica e o uso da expressividade plástica, sem a pretensão de esgotar as possibilidades de leitura e compreensão do caso ou das áreas de conhecimento abordadas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Paola Vieitas Vergueiro, Centro Educacional São Camilo, IJUSP, UNIP.
Analista em formação pelo Instituto Junguiano de São Paulo (IJUSP). Doutora em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos Junguianos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Instituto Mackenzie; especialista na abordagem junguiana pela PUC-SP; graduada em Psicologia pela PUC-SP; arteterapeuta formada pela Associação de Arteterapia do Estado de São Paulo. Psicóloga, psicoterapeuta, professora, orientadora e supervisora. Desenvolve pesquisas dedicadas à interface entre psicologia analítica, arte, sociedade e cultura.

Referências

Abt, T. (2005). Introduction to picture interpretation according to CG Jung. Zurich: Living Human Heritage Publications.

Bach, S. (1990). Life paints its own span: On the significance of spontaneous pictures by severely ill children. Einsiedeln: Daimon.

Bruchon, M. (1972). An expressive modality of personality: Communicative gestures. Bulletin de Psychologie, 26 (1-4), 4-21.

Caligor, L. (1952). The detection of paranoid trends by the Eight Card Redrawing Test (SCRT). Journal of Clinical Psychology, 8(1), 397-401.

Carvalho, M. M. M. F., & Andrade, L. Q. (1995). Breve histórico do uso da arte em psicoterapia. In M. M. M. F. Carvalho (Coord.). A arte cura? Recursos artísticos em psicoterapia (p. 27-38). Campinas, SP: Editorialpsy II.

Chizzotti, A. (2003). Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez.

Ciornai, S. (Org.). (2004). Percursos em arteterapia (Coleção Novas Buscas em Psicoterapia, Vol. 62). São Paulo: Summus.

Conselho Regional de Psicologia (2005). Código de Ética do Psicólogo. São Paulo: CRP. Retrieved from http://www.crpsp.org.br/portal/orientacao/codigo/fr_codigo_etica_new.aspx

Fordham, M. (1957). Reflections in image and symbol. The Journal of Analytical Psychology, 2 (1): 85-92.

Freud, S. (1987). Totem e tabu e outros trabalhos (Coleção Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Vol. XIII). Rio de Janeiro: Imago.

Furth, G. M. (2004). O mundo secreto dos desenhos: uma abordagem junguiana da cura pela arte. São Paulo: Paulus.

Hammer, E. F. (1989). Aplicações clínicas dos desenhos projetivos. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Hillman, J. (1992). Emotion: A comprehensive phenomenology of theories and their meaning for therapy. Evanston, Illinois: Northwestern University Press.

Hillman, J. (1999). O livro do puer - ensaios sobre o arquétipo do puer aeternus. São Paulo: Paulus.

Jung, C. G. (1975). Memórias, sonhos, reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Jung, C. G. (1986a). A natureza da psique. In Obras Completas (Vol. VIII/2). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1986b). Resposta a Jó. In Obras Completas (Vol. XI/4). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1988). Interpretação psicológica do Dogma da Trindade. In Obras Completas (Vol. XI/2). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1989). Símbolos da transformação. In Obras Completas (Vol. V). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1990a). Psicogênese das doenças mentais. In Obras Completas (Vol. III). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1990b). A energia psíquica. In Obras Completas (Vol. VIII/1). Petrópolis: Ed. Vozes.

Jung, C. G. (1991). Psicologia e Alquimia (4a ed.). Petrópolis, RJ: Vozes.

Jung, C. G. (2009). Tipos psicológicos. In Obras Completas (Vol. VI). Petrópolis: Ed. Vozes.

Kolk, V. O. L. (1984). Testes projetivos gráficos no diagnóstico psicológico (Coleção Temas básicos de psicologia, vol. 5). São Paulo: EPU.

Lee, A. (2012). As aventuras de Pi. [DVD]. EUA: 20th Century Fox.

Machover, K. (1949). Proyección de la personalidad en el dibujo de la figura humana. Habana: Cultural.

Naumburg, M. (1955). Art as a symbolic speech. The Journal of Aesthetics and Art Criticism, 13(1), 435-450.

Ramos, D. (2006). A psique do corpo. A dimensão simbólica da doença (3a ed). São Paulo: Summus.

Samuels, A., Shorter, B., & Plaut, F. (1988). Dicionário crítico de análise junguiana. Rio de Janeiro: Imago.

Telles, V. S. (2000). A desvinculação do T.A.T. do conceito de “projeção” e a ampliação de seu uso. Psicologia USP, 11(1): 63-83.

Trinca, W. (1976). Investigação clínica da personalidade: o desenho livre como estímulo de apercepção temática. Belo Horizonte: Interlivros.

Vasconcelos, E. A., & Giglio, J. S (2006). Arte na psicoterapia: imagens simbólicas em psico-oncologia. São Paulo: Vetor.

Whitmont, E. (2002). A busca do símbolo. São Paulo: Cultrix, 2002.

Publicado
31-07-2017
Edição
Seção
Estudo de caso