A luta contra o tempo: envelhecimento, procedimentos estéticos e a psicologia junguiana
DOI:
https://doi.org/10.21901/2448-3060/self-2026.vol-11.253Palavras-chave:
psicologia junguiana, Jung, Carl Gustav, 1875-1961, estética, envelhecimento, psicogerentologiaResumo
Este artigo tem como objetivo analisar, em perspectiva teórico-analítica, como a cultura da juventude eterna e a expansão dos procedimentos estéticos influenciam a construção subjetiva do envelhecimento, articulando literatura científica recente e conceitos da psicologia analítica. Para isso, realizou-se uma revisão narrativa nas bases PePsic, PubMed, Google Scholar e SciELO, utilizando descritores relacionados ao envelhecimento, práticas estéticas e psicogerontologia, em português e inglês. A busca identificou 28 artigos publicados entre 1995 e 2024, dos quais, 13 foram selecionados por maior pertinência teórica. Além disso foram incorporados dados estatísticos de associações do setor estético que contextualizam o crescimento dessas práticas. Paralelamente, foram analisadas obras da psicologia analítica que discutem envelhecimento, individuação, puer, senex e metanoia, compondo o referencial para interpretar os achados contemporâneos. A análise indicou que a pressão cultural para manter uma aparência jovem intensifica a fragmentação da identidade, reforça a dependência por validação externa e dificulta a aceitação da maturidade, comprometendo processos psicológicos fundamentais da segunda metade da vida. Conclui-se que o envelhecimento deve ser compreendido como etapa central do desenvolvimento humano, cuja saúde emocional depende da integração simbólica entre puer e senex e da aceitação da finitude. Ademais, destaca-se que a negação cultural da velhice e o incentivo a padrões estéticos idealizados podem gerar impactos negativos na saúde mental, indicando a importância de abordagens clínicas e sociais que promovam uma visão mais equilibrada, crítica e integrativa do envelhecimento à luz da psicologia analítica.
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