Jack, o Estripador e Barba Azul: dissociação psíquica, sombra coletiva e violência na modernidade
DOI:
https://doi.org/10.21901/2448-3060/self-2026.vol-11.272Palavras-chave:
psicologia junguiana, projeção, arquétipo, feminino, violência, contos de fadaResumo
Este artigo propõe uma interpretação simbólica da figura de Jack, o Estripador, compreendida como representação arquetípica da sombra coletiva no contexto da modernidade vitoriana. A partir da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, articulam-se os conceitos de sombra, anima e persona à análise do conto de fadas “Barba Azul”, entendido como matriz simbólica de uma dinâmica psíquica, marcada pela dissociação entre a consciência e o inconsciente e pela violência dirigida contra o feminino reprimido. O estudo adotou uma abordagem qualitativa, de caráter teórico-interpretativo, fundamentada na hermenêutica simbólica, tomando como corpus principal obras de Jung, em diálogo com os desenvolvimentos de Erich Neumann sobre o arquétipo do feminino e com as contribuições de Marie-Louise von Franz acerca da interpretação dos contos de fada. Em articulação com estudos historiográficos sobre a Londres vitoriana, sustenta-se que a persistência cultural de Jack, como mito moderno, não decorre apenas do mistério policial, mas de sua função simbólica como condensador de projeções coletivas relacionadas à repressão moral, à dissociação psíquica e à violência contra o feminino. Conclui-se que a psicologia analítica oferece uma perspectiva para examinar os significados simbólicos associados à violência extrema no imaginário cultural, sem estabelecer uma explicação causal dos crimes.
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