Anima/ animus e o essencialismo de gênero: uma reflexão epistemológica a partir de C. G. Jung
DOI:
https://doi.org/10.21901/2448-3060/self-2026.vol-11.263Palavras-chave:
gênero, psicologia junguiana, epistemologia, Jung, Carl Gustav, 1875-1961Resumo
O presente artigo teve como objetivo realizar uma reflexão crítica e epistemológica a respeito dos atalhos conceituais de anima/animus em interlocução com as revisões empreendidas a partir dos estudos de gênero. Baseando-se na estrutura de uma pesquisa conceitual, foram selecionados para este trabalho autores do campo junguiano que realizaram essa aproximação, cujas considerações foram analisadas à luz da epistemologia da psicologia complexa. Para a realização desta pesquisa, foram selecionados autores cuja produção sintetiza de forma explícita as principais premissas da revisão dos conceitos de anima/animus pelos estudos de gênero e não pela revisão sistemática e integrativa da literatura. Feita a interlocução entre esses estudos e a epistemologia da psicologia complexa, foram identificados seis eixos de desvios conceituais: a transposição do símbolo em sinal, ao se compreender anima/animus como arquétipos de gênero; a leitura de que C. G. Jung fusionou corpo e psique, contraposto pelo conceito de psiquificação; a interpretação de “masculino” e “feminino” como categorias sociais e não como modalidades de funções psíquicas; o entendimento de Eros e logos como atributos sociobiológicos e não como conceitos nocionais e intuitivos; a indiferenciação entre imagem e o arquétipo psicóide indeterminado; e o colapso da função compensatória dessas figuras quando colocadas de forma simétrica na psique. A partir disso, o estudo concluiu que é necessário realizar uma diferenciação entre os recursos linguísticos que C. G. Jung utilizou ao descrever anima/animus em seu momento histórico e cultural dos fundamentos epistemológicos de tais conceitos que, em si mesmos, já fornecem subsídios para uma compreensão não literalista e essencialista.
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