Na trama das compulsões: quando a alma se enreda em excessos
DOI:
https://doi.org/10.21901/2448-3060/self-2026.vol-11.260Palavras-chave:
transtornos alimentares, compulsões, psicologia junguianaResumo
Este artigo teve como objetivo aprofundar a compreensão das compulsões no contexto dos transtornos alimentares, articulando a psicologia analítica de C. G. Jung com referenciais clínicos contemporâneos. A metodologia adotada foi a de ensaio teórico de natureza qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica e no procedimento junguiano da circuambulação, que busca circundar o fenômeno para construir interpretações simbólicas. Os resultados teóricos indicam que as compulsões, embora marcadas por sofrimento e repetição estéril, podem ser compreendidas como linguagem codificada da alma, convocando o sujeito à simbolização. A análise contemplou: (i) a fragilidade simbólica e o narcisismo cultural da pós-modernidade; (ii) a leitura junguiana das compulsões, a partir do complexo materno, da formulação Spiritus contra Spiritum e do impacto dos conteúdos arcaicos do inconsciente; (iii) distinções clínicas entre compulsão alimentar, comer transtornado, comer emocional, transtorno de compulsão alimentar e bulimia; (iv) o papel do trauma precoce, da dissociação e da noção de “pele psíquica”; e (v) a função simbólica do sintoma e suas implicações para a prática clínica. Concluiu-se que a compulsão, ainda que destrutiva, pode ser ressignificada como um pedido de simbolização e uma via de restituição da coesão do ego, abrindo caminho para o processo de individuação.
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